Saúde do Rio teve reestruturação anunciada. Servidores fizeram protesto no Centro

Paulo Messina explica cortes de equipes na saúde do município do Rio — Foto: Matheus Rodrigues/G1

Paulo Messina explica cortes de equipes na saúde do município do Rio — Foto: Matheus Rodrigues/G1

A Prefeitura do Rio de Janeiro detalhou nesta terça-feira (30) a reestruturação que foi feita na atenção básica de saúde do município. O corte de 1,4 mil postos de trabalho foi necessário, segundo a prefeitura, porque não se tem condições de arcar com o custo da estrutura atual da saúde municipal.

À tarde, o secretário de Casa Civil, Paulo Messina, afirmou durante uma reunião no Centro de Operações do Rio que foi observado um crescimento desordenado das equipes da Saúde no governo do ex-prefeito Eduardo Paes. Ele classificou como ilegal a contratação em escala “absurda” no período das eleições de 2016.

“Vamos olhar no retrovisor para tentar entender como a gente chegou até aqui e propor mudanças para frente. A inferência que eu posso fazer em cima dos dados é que, aparentemente, houve uma distribuição equaneme ao longo dos meses e anos anteriores, houve um crescimento ordenado”, disse Messina, sobre os índices até meados de 2016.

“Quando eu tenho um crescimento absurdamente distorcido em agosto e setembro, os números não mentem, sugere um crescimento desordenado sob a influência de um período eleitoral. É ilegal, acrescento isso. Porque a Lei de Responsabilidade Fiscal, que é federal, diz que faltando seis meses para o final de um mandato você não pode aumentar os gastos dessa forma e deixar para o sucessor”, completou o secretário.

Messina voltou a dizer que nenhuma clínica será fechada ou região ficará desassistida. Segundo o secretário, a reestruturação está sendo feita porque a Prefeitura nunca teve condições de custear o atual modelo da pasta. Com os cortes, R$ 166 milhões serão remanejados anualmente para outros setores carentes da secretaria .

A secretária municipal de Saúde do Rio, Ana Beatriz Busch, afirmou que as medidas foram tomadas após um estudo que envolveu 60 profissionais. Segundo ela, houve a necessidade das mudanças para honrar outros compromissos da pasta. Além disso, haverá um acompanhamento para saber se as mudanças vão surtir efeito ou não.

“Nessa oportunidade, a gente apresenta uma proposta de reestruturação da atenção primária. Não se trata de colocar equipes a mais como foi feito no final de 2016 ou retirar equipes nesse momento”, disse a secretária de Saúde, que gasta mais de R$ 1,2 bilhão com as equipes de atenção básica.

“Isso envolve um planejamento que é muito maior que isso, para que a gente possa honrar compromissos como salários, exames. Esse estudo não é restrito a postos apenas. Há um replanejamento de equipamentos que são ofertados à população, redistribuição de exames, requalificação dos profissionais”.

Eduardo Paes informou que em sua gestão a saúde foi uma prioridade. Segundo o ex-prefeito, a expansão do Saúde da Família a 70% de cobertura era meta do plano estratégico da cidade. Além disso, o projeto fazia parte do plano municipal de saúde aprovado pelo conselho e foi aprovada no planejamento pluri anual (PPA) e na Lei Orçamentária (LOA) pela Câmara de Vereadores. Na ocasião, a aprovação contou “com voto favorável do próprio Messina quando vereador, sem qualquer ressalva”.

Protesto

Funcionários e prestadores de serviço da saúde municipal fizeram uma manifestação na manhã desta terça-feira (30).

Eles ocuparam as escadarias da Câmara de Vereadores, em protesto contra a redução de serviços na saúde pública, contra as demissões e contra atrasos nos salários.

Funcionários da saúde do município protestam contra a redução dos custos — Foto: Yasmim Restum/G1

Funcionários da saúde do município protestam contra a redução dos custos — Foto: Yasmim Restum/G1

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